1 de abril de 2009

GENUINAMENTE ROCK GAÚCHO


Pergunta a qualquer 'não-gaúcho' que gosta de música sobre o Rio Grande do Sul. Você vai ouvir ele falar de rock. O Sul é a terra do rock no país do samba.
O bom disso é que não foi um rótulo inventado, construído na sala refrigerada de uma agência de turismo ou de uma gravadora multinacional. A coisa simplesmente aconteceu, autêntica, autônoma, vigorosa. Um dia as guitarras começaram a soar em bailes, ainda nos anos 50. Logo os guitarreiros começaram a compor. E a se impor. O Liverpool, do IAPI, ganhou notoriedade regional, foi fazer sucesso no Rio, virou Bixo da Seda e plantou a semente, no final dos 60. Os Almôndegas mixaram rock no xote nos 70, Júlio Reny reacendeu a chama no princípio dos 80 e dali em diante os riffs e licks não silenciaram jamais. A parada é viral e visceral, e independe do carimbo das grandes corporações, exatamente porque se mantém autêntica. Só não é maior porque o Rio Grande do Sul continua insistindo em dar o contra. E assim como por vezes evita o diálogo, por pura birra mesmo, o gaúcho deixa de explorar o que tem de melhor. É mais do que hora de mostrar ao país aquilo que todos já sabem: aqui é terra de rock, do bom rock, do rock que rende divisas, do rock que movimenta um mercadão, do rock que fala a língua de seu povo. É por isso que acredito no Rock Jr.: é um festival democrático, organizado e verdadeiro, que mixa sub-estilos e gerações, que acredita que seu público é exigente e se preocupa com o que entrega, fora do palco e em cima dele. É rock júnior na essência, juvenil, jovem, garoto. Mas é feito por gente grande.
Let's rock!

Marcélo Ferla
jornalista e gerente geral da Ipanema Fm, a escola do rock

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